Manejo sanitário em gado de corte

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Manejo Sanitário em Gado de Corte

Guilherme Augusto Vieira*

Médico Veterinário, DSC

A pecuária de corte passa por grandes transformações, evoluindo de um estágio amadorístico para um estágio profissional, onde o produtor moderno busca a eficiência e a lucratividade. O contexto do agronegócio não permite a produção sem eficácia e o produtor, aos poucos,  internaliza  a concepção de que a forma que produzia o seu “boi” não pode ser  as práticas tradicionais de produção onde se observa-se a presença do boi-sanfona e a presença de pastagens degradadas, embora estas práticas ainda fazem parte de um cenário produtivo brasileiro.

Ao participar das várias etapas do Circuito Feicorte pude constatar produtores atentos as novas realidades de mercado, novas tecnologias, principalmente o “arsenal” de substâncias presentes no mercado de produtos melhoradores de desempenho  visando ajustar e melhorar a produtividade da pecuária.

Entretanto, o que adianta a adoção de tecnologias nos rebanhos brasileiros se as práticas de manejo sanitário ainda são negligenciadas por grande parte das fazendas? Tudo isso pode ser evidenciada por vários aspectos observados quanto ao uso dos insumos pecuários, a se destacar:

  • Utilização inadequada de medicamentos e vacinas ( vários produtores economizam na compra de medicamentos e negligenciam na aplicação destes produtos, várias vezes sem a adequada orientação técnica);
  • Erros vacinais com animais apresentando abcessos, machucaduras e demais conseqüências ;

Porque o manejo sanitário é tão importante?

A sanidade de seu rebanho é um dos aspectos mais importantes nos sistemas de produção, pois o seu controle impede a disseminação de enfermidades, aumentando os lucros. O conjunto de fatores que compõe os aspectos sanitários de um rebanho é composto pela vacinação, controle de parasitos (endo e ectoparasitos), higiene das  instalações , além das ações profiláticas e curativas dos animais.

Todo o manejo sanitário deve fazer parte de um calendário zôo-profilático que previamente deve ser elaborado em conjunto entre o proprietário e o Médico Veterinário da fazenda. A elaboração do calendário sanitário é uma ferramenta imprescindível na gestão da propriedade, evita perdas e desperdícios na compra dos medicamentos e vacinas, além de garantir e manter a saúde de seu rebanho durante os ciclos de produção.

Domingues & Langoni,2001, definiu o manejo sanitário como um conjunto de medidas cuja finalidade é proporcionar aos animais ótimas condições de saúde. Os componentes do manejo sanitário buscam evitar, eliminar ou reduzir ao máximo a incidência de doenças no rebanho, para que obtenha um maior aproveitamento do material genético e conseqüente aumento da produção e produtividade (Domingues & Langoni,2001).

PRINCIPAIS MEDIDAS DE MANEJO SANITÁRIO EM PECUÁRIA DE

CORTE

Entre as principais medidas de manejo sanitário  deve-se destacar:

I – Corte e desinfecção do umbigo do bezerro recém-nascido: Previne-se a onfaloflebite ( inflamação da veia umbilical) e as áreas externas do umbigo. Deve ser realizado logo após o nascimento do bezerro e desinfetado com tintura de iodo a 5% durante 03 dias.

II -Fornecimento de colostro ao bezerro: O colostro é o primeiro leite secretado pela mãe após o parto e dur em média três dias. É rico em imunoglobulinas, gordura, proteínas, minerais e vitaminas, sendo responsável pela proteção imunológica do bezerro nas primeiras semanas de vida.

III- Vacinação do rebanho:

A vacinação é utilizada para prevenir as infecções em que estão expostos os animais e para imunizá-los de possíveis infecções, sendo considerada a parte mais importante de um programa sanitário de um rebanho. Tem caráter exclusivamente preventivo e não terapêutico. As vacinações devem seguir as normas vigentes do Serviço Oficial de Sanidade Animal e Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Vacinas são substâncias sintetizadas a partir do agente infeccioso (antígeno) ou fragmentos desses, contra o qual se quer induzir proteção. Esse agente estimula as defesas imunológicas corporais produzindo uma resposta imune específica (anticorpos), fazendo com que o organismo do animal reaja e obtenha resistência contra o agente inoculado .

As vacinações realizadas de forma incorreta ou inadequada podem causar sérios problemas à saúde dos animais além de prejuízos econômicos. Algumas medidas devem ser adotadas:

– Planejar a vacinação de acordo com o calendário zôo-profilático elaborada em comum acordo com o seu Médico Veterinário;

– Atualizar constantemente o seu calendário zôo-profilático fazendo as devidas anotações e registros; Todo o lote de produção deve ter o seu controle técnico;

– Ao adquirir as vacinas, conferir data de fabricação e prazo de validade.

– Transportar e manter as vacinas de acordo com a exigência do fabricante

Sugestão de um programa básico de vacinação em gado de corte, lembrando que cada fazenda e região apresenta uma realidade diferente,devendo o proprietário consultar um Médico Veterinário para ajustar seu calendário de vacinação de acordo com seu rebanho assim como a vermifugação.

 

Programa de Vacinação de Gado de Corte (sugestão)

Vacina Recomendações Reforço
Anti-Aftosa 1ª dose aos 3 meses, Repetição 6/6 meses de acordo com sua região Anual
Carbúnculo sintomático (manqueira), Enterotoxemia e Gangrena gasosa 1ª dose 2 meses, repetir com 30 dias
Brucelose Fêmeas 3 a 8 meses de idade
Anti-rábica Região endêmica – 1ª dose 4 meses Anual
Botulismo Qualquer idade Anual

Fonte: Adaptado pelo Autor

 

IV – Programa de Biosseguridade em Pecuária de Corte

Biosseguridade: Refere-se ao conjunto de normas e procedimentos destinados a evitar a entrada de agentes infecciosos (vírus, bactérias, fungos e parasitas) no rebanho. Trabalha na perspectiva de prevenção.

 É fundamental a conscientização do proprietário e de todos os funcionários da fazenda Quanto à importância e à necessidade do isolamento das instalações e da implantação de medidas rigorosas para reduzir a probabilidade de introdução de doenças.

Entre as principais medidas destacam-se :

  • Isolamento da Fazenda , evitando a entrada de pessoas e veículos à área de produção. Com este procedimentos previne-se a entrada de patógenos na propriedade e com isso o aparecimento de doenças. Esta prática não é muito comum em pecuária de corte, mas os produtores devem ficar atentos a este importante princípio;
  • Controle de insetos e roedores: Os insetos e roedores são grandes disseminadores de doenças para os animais e seres humanos. Devem adotar medidas de controle químico e físico no combate às pragas, de preferência contratando empresas especializadas. Pode parecer “besteira”, mas vale a pena perder um animal caro por leptospirose, conseqüência de um tratamento inadequado de combate aos roedores?
  • Quarentena : é o local destinado a uma propriedade onde ficam alojados os animais que irão ser introduzidos no rebanho. Chama-se quarentena, pois deve ficar um período de quarenta dias em observação para ver se manifesta uma doença; Tem como objetivo evitar a introdução de agentes patogênicos na fazenda;
  • Destino correto dos cadáveres: Precisam ter destino adequado para evitar o mau cheiro, transmissão de agentes patogênicos, proliferação de pragas, contaminação ambiental e preservar a saúde pública. Consultar o veterinário responsável assim como as Agências de Defesa Sanitárias a maneira correta de realizar os procedimentos.
  • Isolamento dos animais doentes – Toda fazenda deve ter um piquete- hospital ou baia –hospital para tratamento dos animais doentes. Além de facilitar o tratamento curativo dos animais evita-se a transmissão de doenças ao restante do rebanho, principalmente aos animais mais jovens.

Enfatizo que em uma fazenda se tiver animal doente o produtor não ganha dinheiro, pelo contrário, gasta. Não e fácil, mas quem disse que é fácil, para se atingir a excelência é necessário muito trabalho, dedicação, introdução de novas tecnologias e principalmente a quebra de paradigmas.

  • Guilherme Augusto Vieira é Médico Veterinário pela EV UFG; Mestre em Nutrição, Alimentos e Saúde UFBA, Doutor em História das Ciências UFBA; Professor do Curso de Veterinária da UNIFACS, Coordenador do site Farmácia na Fazenda e dos Cursos da VeteAgrogestão. Autor dos livros Como montar uma farmácia na fazenda, O agronegócio e a produção agropecuária.
  • texto publicado no site Farmácia na Fazenda em 26/09/2016.

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Manual Farmácia na Fazenda Pecuária de Corte: informações para montagem de sua farmácia na fazenda.

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